O barco estava ancorado no canal de Santos quando o vizinho de vaga veio avisar: "Seu casco bateu no píer durante a ressaca de ontem à noite." O dono da embarcação foi até a marina, viu o estrago, e a primeira coisa que pensou foi no conserto. A segunda foi: "será que eu tenho cobertura para isso?"
Se você tem uma lancha, veleiro ou qualquer embarcação de lazer na Baixada Santista, essa cena provavelmente já passou pela sua cabeça, mesmo que de forma diferente. O litoral paulista tem mais de 8 mil embarcações registradas entre Santos, Guarujá e São Vicente. A maioria navega sem cobertura adequada ou com apólices que o proprietário nunca leu de verdade.
O que é seguro náutico e o que ele cobre
Seguro náutico é a modalidade de seguro voltada especificamente para embarcações: lanchas, veleiros, jet-skis, iates e barcos de pesca. Ele funciona de forma análoga ao seguro de automóvel, mas com coberturas adaptadas ao ambiente aquático e aos riscos específicos da navegação.
As coberturas mais comuns em uma apólice náutica incluem:
- Casco: danos físicos à embarcação por colisão, encalhe, incêndio, explosão ou fenômenos naturais
- Responsabilidade civil: danos causados a terceiros, outras embarcações ou infraestrutura portuária
- Roubo e furto: perda total ou parcial da embarcação e de seus equipamentos fixos
- Equipamentos e acessórios: motor de popa, eletrônicos de bordo, equipamentos de segurança
- Assistência 24h: reboque aquático, assistência em caso de pane ou acidente durante a navegação
Embarcações de lazer respondem por uma parcela relevante dos sinistros aquáticos no litoral paulista, e a maioria dos proprietários descobre as lacunas da apólice apenas na hora de acionar.
Como funciona a contratação
A contratação de um seguro náutico segue um processo parecido com o de seguro auto, com algumas particularidades importantes.
Vistoria prévia: a seguradora geralmente exige uma vistoria da embarcação antes de emitir a apólice. O objetivo é registrar o estado do casco, do motor e dos equipamentos. Embarcações mais antigas ou com histórico de reparos podem ter condições específicas na apólice.
Perfil do navegador: assim como o seguro de carro considera o perfil do condutor, o seguro náutico considera a habilitação náutica do proprietário e dos usuários frequentes. Quem tem habilitação e histórico limpo tende a ter condições mais favoráveis.
Área de navegação: a apólice define a área geográfica coberta. Uma embarcação usada apenas no canal de Santos ou na Baía de Santos tem escopo diferente de uma que navega ao longo do litoral paulista ou faz travessias. Ampliar a área de navegação geralmente impacta o custo.
Valor segurado: o valor da embarcação pode ser definido por tabela de referência do mercado náutico ou por valor acordado entre proprietário e seguradora. Atenção: subestimar o valor para pagar menos prêmio pode resultar em indenização insuficiente em caso de perda total.
A faixa de custo anual de um seguro náutico para uma lancha de lazer de porte médio no litoral paulista varia entre R$ 2.500 e R$ 8.000, dependendo do valor da embarcação, perfil do proprietário e coberturas contratadas. Embarcações de alto valor ou com motor de alta potência saem da faixa padrão.
Erros comuns de quem tem embarcação em Santos
Confiar apenas no seguro da marina. Algumas marinas oferecem cobertura básica para embarcações atracadas, mas essa cobertura costuma ser restrita a danos nas instalações da própria marina. Colisão em alto mar, roubo fora da área ou danos a terceiros durante a navegação ficam de fora.
Não atualizar o valor segurado. Uma lancha comprada por R$ 80 mil há cinco anos pode valer R$ 130 mil hoje, especialmente com a valorização do mercado náutico nos últimos anos. Apólice desatualizada significa indenização insuficiente.